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Já conhece a nova cara dos Lusíadas?

‘Os Lusíadas para toda a família’ estão a ser trabalhados por três artistas contemporâneos: o escritor José Luís Peixoto e a dupla de grafiters Miguel Ram e Gonçalo Mar. Esta iniciativa está integrada nas comemorações do 20º aniversário da revista VISÃO, que apostou no tema da emigração portuguesa.

(Fotografia da página do facebook oficial ARM Collective)

Miguel Ram e Gonçalo Mar estão a pintar o mural com mais de 100 metros
(Fotografia da página do facebook oficial ARM Collective)

“Dá muito gozo participar neste projeto, é muito gratificante. São dez cantos, dez desafios diferentes”, é assim que Miguel Ram, um dos grafiters da dupla ARM Collective, encara este novo desafio.

O colega Gonçalo Mar, também embarcou nesta aventura e assegura que “a ideia por si só já é inovadora. Pegar na história de Portugal e dar-lhe uma pitada de contemporaneidade é, sem dúvida, motivador.” Para o grafiter, esta “nova cara” que se está a dar aos Lusíadas torna a obra “muito mais apelativa, colorida e fácil de interpretar para os estudantes. Afinal existe uma forma muito cool  de estudar os Lusíadas.”

Gonçalo Mar acredita, ainda, que “existe aqui uma abordagem descomprometida. Estamos a puxar o lado mais maçudo da obra, a descodificar essa peça muito densa que são os Lusíadas.”

Avenida da India recebe o mural

O  mural com mais de 100 metros está a ser pintado junto ao rio Tejo, local de onde partiram as caravelas. Coincidência ou não, o muro fica ao lado da avenida que vai buscar o nome ao destino onde chegou Vasco da Gama: India, Avenida da India.

Cada um dos dez Cantos dos Lusíadas ganha, assim, uma nova interpretação, dada por esta dupla de artistas que existe há cerca de oito anos. Apesar de este ser o primeiro trabalho de maior visibilidade em Portugal, Miguel Ram e Gonçalo Mar já viajaram um pouco por todo o mundo para fazer outras intervenções.

“Existe uma linha condutora no nosso trabalho de autor. Nos Lusíadas há pormenores comuns a toda a gente, nós pegamos nisso e vamos colocando os nossos inputs, o nosso estilo próprio em cada Canto que pintámos”, explicou Gonçalo Mar.

Orgulho patriota

Para além da visibilidade que a dupla ARM Collective ganha com este projeto, estes grafiters garantem ser um orgulho recontar a história de Portugal.

“Não há condicionantes, a única condicionante é o próprio conto.  Interpretar esta obra e ter essa liberdade é muito bom”, admitiu Gonçalo Mar que espera que este trabalho venha a fazer parte da história do país.

Miguel Ram acredita que esta iniciativa da VISÃO é um desafio e “claro que é um orgulho, é a primeira vez que se pega numa obra desta dimensão e se aplica com este tipo de ilustração.”

Gonçalo Mar e Miguel Ram começam a trabalhar por volta das 11h da manhã e não têm hora para acabar

Gonçalo Mar e Miguel Ram começam a trabalhar por volta das 11h da manhã e não têm hora para acabar

10 semanas, 10 livros por 5 euros

A proposta foi feita pela revista VISÃO que está a comemorar o 20º aniversário com uma edição especial dedicada ao tema da emigração portuguesa. “Os Lusíadas são, de facto, uma obra notável e única, que surge com uma inesperada atualidade. Estamos de novo à descoberta do Mundo, e Camões celebra os mundos que Portugal deu ao Mundo de uma forma altamente inspiradora e mobilizadora”, lê-se no editorial escrito aquando a publicação do livro com o Canto I da obra.

O escritor contemporâneo José Luís Peixoto está, a par dos ARM Collective, a dar nova cara à obra de Luís Vaz de Camões.

Durante dez semanas, dez livros, cada um com um Canto dos Lusíadas, vão acompanhar a revista por apenas 0,50€ cada.

Os livros contêm, para além dos Cantos originais, o conto de José Luís Peixoto, que, sem desvirtuar a obra, dá uma visão contemporânea ao poema épico do século 16. A capa é da autoria dos grafiters e, nas primeiras páginas, está um making of da produção de cada grafiti.

A coletiva ARM

Gonçalo Mar e Miguel Ram são os dois street artists nacionais mais reconhecidos no meio, formam a dupla ARM.

Segundo a VISÃO, MAR trabalha com um imaginário pop-surrealista, ligado aos super-heróis, à animação e à mitologia, que chama a atenção de crianças e adultos. RAM aposta num discurso abstrato-atmosférico, com inúmeras referências ao meio aquático e floral.

Se quer acompanhar esta edição especial

Os livros começaram a acompanhar a revista no dia 11 de abril e, durante dez semanas, integrarão esta edição especial. Esta semana saiu já a publicação com o Canto III da obra.

O Gabinete de Arte Urbana da Câmara Municipal de Lisboa está a apoiar este projeto, numa iniciativa patrocinada pelo banco BIC.

Veja, ainda, a reportagem do Clic_Etic_:

Patrícia Silva

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