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«Snifei uma linha pequena» – O tráfico

«Existe tráfico de drogas em discotecas (…) este pode ser um tráfico organizado com os trabalhadores, gerentes ou mesmo com a empresa de uma forma bastante articulada»

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3:30 da madrugada. Numa discoteca da zona de Lisboa a noite já vai a meio. As luzes e a música dançam sincronizadas. A batida ecoa dentro do ouvidos dos amantes da noite que se deixam seduzir pelo seu glamour. Mas Bernardo Gomes, de 24 anos, explica que não foi só a noite que o seduziu: « A primeira vez que tomei droga foi no parque de estacionamento de uma discoteca em Lisboa. Eu tinha 17 anos. Das 5 pessoas dentro do carro, eu era o único virgem na matéria. Todos me convidaram a fazê-lo garantindo-me que não me afetaria em demasia, visto que era cocaína, conhecida por ser uma droga social, não causando alucinações. Snifei uma linha pequena.»

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Um estudo sobre o consumo de drogas elaborado em Maio de 2011, pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência, revela que os consumos de drogas ilícitas( cocaína, canabis, haxixe etc) ao longo da vida estão associados às camadas mais jovens (15-34 anos), com cerca 14,9% dos inquiridos a declarar já ter consumido.

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Um dos fatores associado ao consumo de drogas é a integração social. Edgar Amaral, de 34 anos, explica como tudo começou :« embora aos 17 anos tenha experimentado ganza. Na verdade fumava porque os meus amigos todos fumavam e porque era cool. Depois pensei que como não tinha prazer nenhum e até ficava enjoado e desisti isto aos 18 anos». No entanto, uns anos mais tarde a experiência, já foi diferente: «aos 21 anos tomei cocaína, e aí sim gostei. Então podia beber na boa, que não ficava bêbado. Quando estava embriagado e quando começava a ser demais dava uma linha e cortava o efeito e conseguia dançar mais horas e gostava dessa sensação».

 « (…) As portas das discotecas abrem, os dealers vão para as porta da casa de banho dos homens e põe-se a circular pela pista. »

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Quando a noite começa a ficar mais intensa e as pessoas envolvidas no seu ritmo frenético, os traficantes de droga aproveitam para lucrar. Mafalda Guerreiro, de 34 anos, trabalha há cerca de 12 anos como Barmaid :« Quem frequenta as discotecas já sabem quem eles são ou onde eles estão. Quando as portas das discotecas abrem, os dealers vão para as porta da casa de banho dos homens e põe-se a circular pela pista». Edgar Amaral explica que : « em 90 % dos casos o porteiro é o dealer ».

 «Existe tráfico de drogas em discotecas, claramente. Dependendo das discotecas, este pode ser um tráfico organizado com os trabalhadores, gerentes ou mesmo com a empresa de uma forma bastante articulada. Ou pode até ser um trafico completamente dissimulado dentro de uma discoteca. Depende do sítio e da importância que estas substâncias possam ter para cativar público.» remata Bernardo Gomes,colaborador de um discoteca, na zona de Lisboa, durante 5 anos como Barman.

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Júlio Amadeu, 36 anos, é traficante de droga há 8 anos :« O tráfico de droga nas discotecas já é uma coisa velha. Há casas que beneficiam com isso, porque há clientes que só lá vão porque sabem que podem comprar e consumir sem problemas.»

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O consumo de drogas ilícitas e licitas e o seu tráfico é proibido pela lei portuguesa em discotecas. No entanto, em várias discotecas o seu consumo é praticado: « Depois de comprar vai-se ao wc da disco. Fechas a porta e fazes ou no tampo da sanita ou com cartão do multibanco ou até no telemóvel. Enrolas uma nota e cheiras ou levas já uma palhinha cortada contigo no bolso. Se for com alguém cheirar, e porque habitualmente há controlo da segurança, vai um faz as linhas e o sai e o outro entra. Às vezes ia pedir para ir ao carro e fazia lá à entrada da discoteca» explica Edgar Amaral.

 « Cheguei a ficar um fim de semana sem dormir.»

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A procura de um mundo mágico sem limites leva muitos jovens a consumir drogas. O consumo de droga é uma das principais causas de morte entre os jovens na Europa. De acordo com o Relatório Europeu sobre Drogas 2013, divulgado em Lisboa, pelo Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência, revela que a taxa de mortalidade – provocada diretamente pelo consumo de droga, através de overdoses, ou indiretamente, por doenças várias, sobretudo infectocontagiosas, e acidentes, violência e suicídio – ronda os 1 a 2% por ano.

Ricardo Lisboa, 29 anos, recorda um dos principais efeitos no consumo em excesso de cocaína : « Na altura havia muito o habito dos afters em casa depois da noite nas discotecas, onde continuávamos a consumir. Cheguei a ficar um fim de semana sem dormir.». Por outro lado, o consumo de drogas a Edgar Amaral afetou de outra forma : « sempre fui regradod no consumo. Embora a pior coisa é que na altura tudo parece exequível. Depois no dia a seguir quando via o extrato da conta era uma arraso, gastava mais do que devia.»

Mafalda Guerreiro, depois de uma noite de trabalho, já chegou a encontrar vários jovens em péssimas condições devido ao excesso de consumo de drogas : « Uma vez vi um rapaz encostado a uma parede a suar, branco que nem cal, devia estar com uma tensão baixa por excesso de consumo de cocaína». conta Mafalda.

«Pararam a musica, ligaram as luzes e pediram para todas as pessoas se encostarem à parede (…)»

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A madrugada vai alta e todos os amantes da noite dançam, mas quando pára a música e acendem-se as luzes a agitação continua. « Quando as luzes acendem e termina a música já sei que é uma rusga. Por isso tento sempre fugir para a casa de banho para jogar o que tenho pela sanita.No meio da multidão, é impossível os policias controlarem todos » revela Júlio Amadeu.

 De acordo com o agente da polícia, Paulo Bastos, da esquadra de Santos, as rusgas são feitas esporadicamente : « As rusgas são programadas na divisão e geralmente são feitas sem qualquer tipo de denúncia ».

 «A polícia entra, pára a música e começa a inspecionar as pessoas, mas apenas algumas. Eu como tenho ar de menino de bem, nunca me pediram nem identificação nem me revistaram e deixaram-me sempre sair na boa. Mas também penso que quando isso acontece têem algumas pessoas em mente, porque habitualmente andam lá antes à paisana a ver», explica Edgar Amaral

 Os nomes apresentados  e as fotos são fictícias, de forma a proteger as respetivas identidades.

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