Entrevistas / Pessoas

À conversa com Paulo Azevedo

«Difícil não é lutarmos pelo que queremos mas sim desistirmos do que se ama.» 

da

Depois de se conhecer Paulo Azevedo, percebe-se que as limitações do Ser Humano é o próprio Ser Humano que as constrói. Paulo, desde a nascença, teve que se conformar com a sua condição física – a ausência dos membros superiores e inferiores. Numa conversa fomos conhecê-lo melhor  e também as suas experiências de vida.

Paulo, sei que deixou o curso de Jornalismo a meio, o que o levou a tomar essa opção?                                                  Deixei o curso a meio porque sinceramente não me identificava com jornalismo e não me imaginava a fazer aquilo para o resto da vida.         

Pensa um dia retomar o curso?
Neste momento não, mais facilmente tirava algo relacionado com a representação ou mesmo produção em televisão.

Deixou o curso e depois o que decidiu fazer?                    
Fiz teatro ao longo de quase toda a minha vida. Enquanto estava a estudar fui protagonista de duas grandes reportagens: uma da SIC que retratava o meu dia-a-dia, “Uma vida normal”de Sofia Arede e Jorge Pelicano e outra da Sport Tv “o melhor jogador do mundo” de Jaime Cravo. Mas depois de deixar Jornalismo, estive a trabalhar dois anos para conseguir tirar o curso livre de representação em teatro, televisão e cinema em Lisboa sob a direcção do professor Tozé Martinho. Depois, fiz parte do elenco principal da novela da SIC “Podia acabar o mundo” com a personagem Raimundo – um advogado -. Fiz a peça de teatro, “As troianas” de Jean Paul Sartre e “O Monologo de vaqueiro” de Gil Vicente. Também participei no filme “Nirvana” do realizador Tiago Pedro de Carvalho que vai estrear este ano. Além da televisão sou também treinador de futebol nível 3. Nesta área passei por alguns clubes, estagiei no Real Madrid com o mister Mourinho, estive na primeira época na Académica de Coimbra e algumas semanas no Belenenses. Além de tudo isso a porto editora lançou uma autobiografia sobre a minha vida, um livro intitulado “Paulo Azevedo, uma vida normal” escrito pela jornalista Sofia Arede.

Quais os principais ensinamentos que recolheu de cada ciclo?
Primeiro, eu tento sempre tirar o máximo partido de todas as experiências, vivê-las ao máximo, aprender com elas, mesmo as menos boas, tento sempre cumpri-las todas corretamente. Em cada ciclo da vida se aprende, aliás estamos a aprender até ao fim da vida. É o prazer do desafio, da responsabilidade, da humildade e da entrega.

Onde se imaginaria a trabalhar?
Gostava de voltar a representar em televisão e em teatro.

Com este percurso certamente teve momentos menos bons…
Sim, o mundo da televisão e do futebol são muitos instáveis, mas a minha paixão é forte demais para me fazer desistir assim facilmente. Tive e tenho muitos momentos de incerteza. Não sei se vou ter trabalho, quando tenho é temporário, faço a tua vida em torno de um determinado vencimento e 10 meses depois estou sem trabalho, é muito complicado. Eu fiz a primeira novela e até agora não fiz mais nenhuma. O que me deixa mais triste são as promessas não cumpridas que fazem, prometem trabalho e tudo mais, criam expetativas e depois não se concretizam, é um mundo estranho. Num determinado momento, sou ator revelação, estou no auge e, em seguida, estou 4 anos sem trabalhar.

Quais os seus principais objectivos e desafios?
O meu principal objetivo é ser totalmente independente, conseguir andar em cima das minhas próteses, o resto vem depois, não é tão importante. Desafios? Voltar à televisão e mostrar que apesar de ser diferente tenho talento e consigo.

 

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