Lisboa num só dia

Um Arco sem Cego

Decidi palmilhar o pequeno e acolhedor Bairro em busca de um Arco, tal Arco do Triunfo ou outro que tal. Corridas algumas ruas, não o encontrei mas deparei-me com mimosos edifícios com não mais de três pisos, alguns deles transformados em imponentes vivendas.

António Almeida, 57 anos, vive aqui desde que nasceu e conta-nos que apesar do aspeto luxuoso, nem todas as partes do bairro sempre o foram. “Era o fim da cidade de Lisboa e a partir daí era quase campestre.” A zona de baixos prédios e vivendas era, nos anos 30, altura em que foi inaugurada, uma espécie de bairro social afastado da zona central de Lisboa.

António recorda ainda o edifício da caixa geral de depósitos, que limita o bairro, como sendo uma antiga fábrica de porcelanas. Hoje, apenas uma chaminé dele resta.

Emília de Lurdes, nascida em 1934 em Badajoz, mudou-se para o número 24 da Av. Rovisco Pais nos anos 50 e recorda-se bem da vivencia deste bairro. “O Arco do Cego era a coisa mais sossegada que podia haver”, diz ansiosa por contar histórias daquela época. “No sítio onde nós morávamos passava o elétrico. O cabo estava amarrado à parede e nós sentíamos solavancos no quarto.”

Era antes que ali ficava o terminal dos antigos “Amarelinhos”, os elétricos, que circulavam em grande número pelas ruas principais do bairro. Desde 2005 que o terminal foi transformado num parque de estacionamento e no Jardim do Arco do Cego, onde hoje em dia podemos encontrar os estudantes do Instituto Superior Técnico e da Filipa de Vilhena a conviver.

“É um jardim vivo”, diz Maria Espírito Santo, que se mudou para perto do jardim há 30 anos e não se imagina a morar em mais nenhum lado. “Quando eu vim para cá não havia nada e agora tenho tudo à porta”. Maria recorda também a antiga fábrica da Olá e a Escola Lusitânia, no sítio onde há agora um enorme prédio.

Quando questionada sobre a presença dos estudantes no jardim, diz que apesar das queixas dos moradores nada se incomoda, antes pelo contrário. “Adoro o movimento e agitação desta zona”.

2012-10-12 A

Dos três moradores, nenhum deles conseguiu no entanto esclarecer qual a origem do nome do bairro onde moram há vários anos: Arco do Cego. Não tendo encontrado nenhum arco e, obviamente, nenhum cego (caso existisse já teria falecido), investiguei pois a origem do nome.

Sendo o limite da cidade estabelecido naquela zona, diz-se que há vários séculos existia um arco físico onde eram pagos os impostos para a entrada de mercadorias na cidade. Em 1742, quando o rei D. João V abalou da cidade, verificou-se que o seu coche não passava no arco, tendo este sido deitado abaixo.

Quanto ao “Cego”, não há qualquer registo da existência de uma pessoa cega que dê nome ao Arco, restando assim a dúvida.

Uma coisa é certa, viver no Arco do Cego é, em consenso, para Emília, António e Maria, um privilégio.

Fontes: http://cidadanialx.blogspot.com/

http://www.ionline.pt/

http://www.sociallaranjinha.blogspot.com/

http://www.geocaching.com/

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