Nacional

Saúde: Portugal cortou mais 150 milhões do exigido pela troika

Segundo o relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, hoje apresentado, o Governo reduziu 710 milhões de euros o orçamento da Saúde de 2012. O jornal i diz que foram mais 160 milhões de euros do que seria necessário para cumprir o Memorando da troika.

Relatóro Primavera foi hoje apresentado em Lisboa (Fotografia de: dotecome.blogspot.com)

Relatóro Primavera foi hoje apresentado em Lisboa
(Fotografia de: dotecome.blogspot.com)

Portugal cortou além do Memorando da troika e, para isso, estagnou os cuidados primários e paliativos, bloqueou a entrada à inovação e cobrou taxas moderadoras falsas. Segundo o jornal i, na saúde, o Governo reduziu mais 160 milhões de euros do que seria necessário.

O relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde foi, esta manhã, apresentado em Lisboa, e lançou alguns alertas.

Para o Observatório, os cortes deveriam ter sido de 550 milhões de euros para cumprir as exigências da troika, e não de 710 milhões. “As metas orçamentais do Governo em 2012 anteciparam cortes sem razão aparente, o que agrava as pressões sobre o bom funcionamento do sistema de saúde num período socialmente crítico para o país”, citou o jornal i.

Existem, ainda, algumas medidas do Memorando para o ano passado que estão por cumprir e alguns hospitais a operar para além dos limites orçamentais.

No entanto, o Observatório destaca a redução abrupta dos orçamentos que “contribui para constrangimentos no terreno que vão da falta de material essencial à desmotivação dos profissionais.”

“Duas faces da saúde” é o nome do relatório deste ano, depois do polémico nome escolhido no ano passado “Um país em sofrimento”. Existe um desfasamento entre a análise da tutela e do Governo e os peritos alertam para o que entendem ser “uma inversão dos papéis, em que é o OPSS a fazer o diagnóstico e a propor ações enquanto o Governo critica o Observatório”, explica o i.

Segundo o relatório, este ano foram feitos menos inquéritos no terreno, apenas um trabalho feito em Lisboa, e dois estudos de satisfação. O Observatório deixa o apelo à tutela: “Ao fim de quatro anos nos quais o OPSS chamou a atenção para a relação entre crise e saúde através de relatórios detalhados – elaborados com recursos muito escassos -, não existe um diagnóstico oficial a partir do qual seja possível organizar no terreno uma resposta adequada aos efeitos da crise na saúde.”

O jornal i explica, detalhadamente, as conclusões do relatório quanto aos problemas de acesso dos doentes crónicos, a crise que faz aumentar a depressão, os cuidados primários com falta de material e profissionais insatisfeitos, lacunas nos cuidados paliativos, as falsas taxas moderadoras e a falta de inovação no SNS.

Patrícia Silva

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