Em Foco

EMEL: o outro lado das multas.

 “A EMEL condiciona a vida das pessoas, eu queria ficar mais tempo com a minha neta, mas não posso, não tenho mais moedas. Vou-me agora embora.” Ao entrar no carro, o avô João Simões, lamenta o facto da Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa controlar a sua vida. Pagou 2 euros, por três horas em casa da filha na companhia da neta. “Eu não me queria ir embora, mas sou obrigado a tirar o carro daqui” acrescentou.

“Não posso ficar mais tempo, não pus o papelinho da EMEL”, “Consegues ver daí o carro?”, “Está ali o gajo da EMEL, cuidado.”  Quem frequenta zonas onde o estacionamento pago é obrigatório certamente já ouviu comentários do género, comentários de quem está sempre preocupado, e nunca descansado quando o assunto é o carro.

Foto4739
Todos os dias, mais de 600 mil automobilistas disputam 200 mil vagas de estacionamento na capital, a EMEL, tem tido um importante papel na organização e gestão da mobilidade urbana. Mesmo assim, a insatisfação com os serviços prestados pela empresa, estão “acima da média”.

Nos tempos que correm, ser fiscal da EMEL não é “pêra doce” e esta profissão pode ser um pouco ingrata.

André Fonseca é funcionário desta empresa, há 4 anos que passa o dia a olhar para o tablier dos carros na zona do Príncipe Real. De auscultadores nos ouvidos faz a mesma rua mais de dez vezes por dia, a rádio é a sua principal companhia, naquela que não é a profissão mais dinâmica do mundo. O controle dos dísticos e dos papelinhos naquela zona é feito por ele e por mais cinco colegas.

Quando está a rua a cumprir o seu dever, sente que as pessoas o olham o de lado?

A toda a hora, parece que estou a cometer um crime, no início não gostava, mas agora já me habituei. Venho todos os dia para aqui, as pessoas que já me conhecem, a maioria são simpáticas comigo, mas infelizmente são poucos os dias em que não me chateio.

Tem problemas todos os dia a rua?

É um trabalho complicado, é preciso ter muita calma em certas situações, se eu fosse responder a todos os comentários que oiço..(risos)
As pessoas não percebem que eu estou a cumprir a minha obrigação, sou pago para fazer isto, este não é o meu emprego de sonho, mas por agora é o que eu tenho.

Já sofreu alguma agressão verbal ou física por parte dos utentes?

Verbais sim, físicas não. No dia em que isso acontecer não sei se continuo neste ramo. Vou ser honesto, ninguém gosta de chegar ao carro depois de um dia cansativo de trabalho e ter uma multa, ou uma roda bloqueada, eu sei isso, os meus colegas sabem isso, mas são ordens. Muitas das vezes faz-me pena, já assisti a muita gente a chorar quando chegam perto das viaturas e só porque somos trabalhadores da Emel não quer dizer que não tenhamos coração.

Não teme pela sua integridade física?

Sim, mas tento não pensar muito nisso, não quero passar o dia com medo. Sei que há coisa de quatro anos, três colegas meu foram agredidos com facas, murros e pontapés foi durante a noite quando foram chamados para desbloquear a viatura. Foi lá para cima, em Campo de Ourique.

Os utentes regulares embora compreendam a função da EMEL, gostavam de sentir mais tolerância por parte dos fiscais, e de ter ofertas mais adequadas às suas necessidades e às suas carteiras.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s