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À conversa com… Egídio Alves

(Fotografia da página do facebook)

O calçado português é já o segundo mais caro do mundo (depois do italiano) e, apesar da crise, o setor tem fortalecido o investimento e a internacionalização. Marcar, com passos firmes, o mercado de luxo é o principal objetivo de grande parte das empresas nacionais, que querem, em 2013, reforçar a presença na China, na Coreia e nos EUA.

Egídio Alves é designer de calçado e aposta no segmento do luxo e da qualidade. Conseguiu, em dois anos, alcançar notoriedade a nível internacional. É um criativo perfecionista, criterioso na seleção dos fornecedores e na escolha dos materiais. Joga com os pequenos detalhes e já calça famosas caras portuguesas como Cristina Ferreira, Fernanda Serrano e Marisa Cruz. Estivemos à conversa com este jovem do Norte…

1. As últimas notícias dão conta do crescimento e da internacionalização do calçado português. O que é que tem contribuído para o desenvolvimento desta indústria?

Em épocas de crise repensamos as estratégias. Portugal tem-se vindo a destacar pela qualificação de excelência: a mão de obra e produto acabado são exímios e isso demarca-se a nível mundial. Temos bons criativos, bons fabricantes e, atualmente, temos marcas internacionais a fabricar em Portugal, tais como: Jean Paul Gaultier, Lowe, Moschino, Roberto Cavali, entre outras.

2. Que nomes, associados ao calçado português, merecem mais destaque e porquê?

O Luís Onofre levou o nosso país e a nossa indústria onde menos imaginávamos, com detalhes únicos e originais já calçou várias personalidades públicas internacionalmente conhecidas como Princesa Letizia e Paris Hilton, por exemplo. Paulo Brandão é também uma marca de referência, onde o design se conjuga com a irreverência das suas coleções, Sara Jessica Parker (de “Sexo e a cidade”) já usou as suas criações. A minha marca foi lançada há dois anos mas tornou-se rapidamente numa das mais badaladas do mercado nacional.

3. Quanto a si, entrou muito cedo na indústria do calçado. O que o motiva nesta profissão?

Foi paixão imediata, desde muito cedo o mundo das artes e do design despertaram o meu interesse. Lembro-me que em criança queria ser arquiteto ou pintor, mas ao longo dos anos criei uma fixação em olhar para os pés das pessoas e criar algo melhor do que aquilo que calçavam. Decidi o que queria, implementei uma estratégia de formação, tirei vários cursos na área do calçado, uma licenciatura em Design de Comunicação e Produto. Também dei formação na área de vitrinismo. Só depois deste percurso, aos 28 anos, senti que estava preparado para projetar a marca ‘Egídio Alves’ e estou muito feliz com aquilo que faço.

4. Conseguiu, em pouco tempo, chegar a algumas das mulheres mais conhecidas no país. Foi difícil?

Foi por acaso… depois de apresentar pela primeira vez a minha coleção numa feira alemã. Cheguei a Portugal e contactaram-me da TVI para a apresentar num programa de entretenimento. Também porque já tinha ganho, em 2008, o 1º prémio, num concurso mundial, em Bolonha, com uma criação de um sapato masculino. Rapidamente comecei a calçar a Marisa Cruz no Euro Milhões e o resto foi surgindo naturalmente.

5. A exigência com que trabalha reflete-se na qualidade do seu calçado?

Sem dúvida alguma, é um trabalho intensivo. A marca teve reconhecimento público muito rápido, então fui obrigado a recorrer ao que melhor sabia fazer, apliquei todos os meus conhecimentos e o meu perfecionismo. A partir daí tem sido um comboio de alta velocidade. Confesso que não estava à espera de um crescimento tão rápido. Já exportamos bastante para Angola, Dubai, França e Suíça, por exemplo.

6. Como define o seu método de trabalho?

Tive de aplicar um método cuidado, uma comunicação seletiva, fazer pesquisas de segmento de produto e deitar mãos à obra. Todos os dias nos surpreendemos nesta área, cada dia é um desafio.

7. Quais são as maiores dificuldades desta área?

Nos dois primeiros anos uma marca ainda se está a impor no mercado, é muito complicado encontrar fábricas que produzam o nosso material, elas existem mas nem sempre existe a ponte de ligação.

(Fotografia da página do facebook)

(Fotografia da página do facebook)

8. Daqui para a frente… quais são as próximas apostas? O que é preciso ser feito para dar visibilidade ao calçado nacional?

Quero continuar a fazer um trabalho de excelência e representar o lema ‘o que é nacional é bom’. Não nos podemos acomodar, mesmo quando atingimos algum sucesso temos de inovar e recriar ideias e produtos. Temos a qualificação mas precisamos sempre de a saber explorar.

Conheça a marca – Egídio Alves

O que é a APICCAPS?

Paulo Gonçalves, responsável pelo Departamento de Comunicação da associação, explica:

“A APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos –  apoia diversas áreas do setor do calçado, desde a comercial à jurídica. Acredito que no futuro o setor tem de continuar a inovar, encontrar novos protagonistas, investir mais na promoção externa e, fundamentalmente, procurar mercados alternativos à Europa.”

Patrícia Silva

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