Em Foco

«Caderninho» de fiar

Ir a uma mercearia e pedir fiado parece algo incomum nos dias de hoje. As mercearias de Bairro para sobreviver continuam a fiar os seus clientes mais antigos, num tentativa de não serem «devoradas« pelas grandes superfícies comerciais.

O comércio Tradicional tem vindo a tornar-se numa espécie em vias de extinção.  A industrialização dos alimentos e a criação de grandes centros comerciais são a principal causa deste decréscimo. As velhas mercearias numa tentativa de resistência ao comércio dos hipermercados dão a possibilidade aos clientes o fiado.

No Bairro Alto, na rua da Barroca, há quarenta e três anos está a mercearia da Maria da Glória de 65 anos « Esta loja na minha mão existe há quarenta e três anos, mas já esteve na mão de duas outras pessoas, por isso calculo que exista há mais de 60 anos».

A crise faz-se sentir entre aquelas quatro paredes

Maria da Glória afirma que « nunca senti uma crise como esta desde que comecei o negócio». O agravar da crise torna a prática de fiado uma formula recorrente de muitos consumidores, mas Maria da Glória impede este aumento « não tem aumentado mais porque a gente não deixa, não quero tomar conta de fregueses modernos».

No talho mais à frente

Idalino Carvalho a cortar costeletas

Idalino Carvalho a cortar costeletas

Idalino Carvalho de 61 anos , proprietário do talho « Carne Fresca» desde 1974 afirma que já teve problemas em fornecer fiado « já tive clientes que vinham aqui pedir fiado constantemente, alguns acabaram por morrer sem pagar as dividas ». Na mercearia de Maria da Glória os problemas devido ao fiado também se fazem sentir « tenho tido problemas com alguns. Tenho um (cliente) que deve 700 euros desde o verão, mas ele nada, fiquei a perder. Ainda estou à espera».

Que tipo de clientes usufruem da prática de fiado?

A maior parte dos clientes de acordo com Maria  da Glória « são fregueses aqui da zona, a maior parte são reformados e ao fim do mês vêm logo pagar». A forma de funcionamento é: Um cliente chega escolhe o que quer, faz-se a conta e depois aponta-se no «caderninho». Alguns clientes pagam de quinze em quinze dias e outros ao mês.

« o fiado tem vindo a aumentar, o governo do Passos de coelho é consequência disso»

Albertino Trocado trabalha há 20 anos no talho « Girassol», « por vezes chegam aqui clientes que na hora de pagar dizem que se esqueceram do dinheiro ou da carteira em casa, nós como os conhecemos deixamos passar, uns voltam outros não». O talhante de 55 anos culpa o estado do país para o aumento do fiado « o fiado tem vindo a aumentar, o governo do Passos de Coelho é a consequência disso» Acrescenta ainda que«  a culpa nem é da Troica é das sucessivas más políticas dos nossos governantes».

Os produtos mais frequentes no fiado são bens de primeira necessidade como por exemplo : Leite, queijo, pão, fiambre.

Os produtos mais frequentes no fiado são bens de primeira necessidade como por exemplo : Leite, queijo, pão, fiambre.

Cliente tímida

Enquanto decorria a entrevista a Maria da Glória, Simone Almeida, reformada de 67 anos, chegou em «pés de lã»  à Mercearia «49». Pediu 100gr de queijo e 4 bolinhas de pão e mandou por na conta. Simone Almeida utiliza o fiado devido à sua pequena reforma  de 378 euros« esta é uma forma de conseguir comer, mas sempre que vou receber a reforma venho logo pagar a Dona Glória sabe disso». Viúva há 6 anos,  Simone utiliza esta prática há vários anos, visto que é vizinha da mercearia.

«Fiado só se faz a um bom amigo e um bom amigo nunca pede fiado »  ditado popular

Uma uma reportagem por Instagram  

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