Cultura

Ser português nos dias de hoje

(Fotografia do site: posturadeestado.blogspot.com)

(Fotografia do site: posturadeestado.blogspot.com)

Nós, povinho de um país à beira mar plantado, somos, por natureza, pessoas de bem. Hospitaleiros e afáveis, disponíveis e versáteis. Somos gente de bons costumes. Adaptamo-nos às mais variadas situações e, mais importante ainda, às pessoas. Gostamos de olhar ‘olhos nos olhos’, das pancadinhas nas costas, dos dois beijinhos, dos abraços aconchegantes e das conversas efusivas e ‘em alta voz’. Somos saudosistas e melancólicos… basicamente, somos portugueses.

No outro dia, andava eu a passear pela baixa lisboeta, quando vi um casal tipicamente inglês – ambos magros, loiros, pele pior do que copinho de leite e máquina fotográfica pendurada ao pescoço – a pedir informações a um cavalheiro tipicamente português – barriguinha abonada, bigode farfalhudo e uma bonita careca. A situação foi, no mínimo, caricata. Excessivamente prestável, o português gesticulava com entusiasmo e falava quase aos berros uma língua que desconheço. Era um português inglesado, com os “r” a soarem de uma forma muito estranha. Fiquei de sorriso no rosto porque, apesar das figurinhas tristes do pobre senhor, qualquer pessoa perceberia o esforço sincero que estava a fazer para ajudar aquele simpático casal inglês. E a verdade é que esta situação espelha, exatamente, aquilo que todos nós (portugueses) somos.

Gostamos de acolher bem e ajudar quem de nós precisa. Mesmo que isso nos custe, sentimo-nos bem quando o fazemos. E até quando somos nós os estrangeiros, quando deixamos o nosso Portugalinho, tentamos poupar os outros a estas ‘vergonhas’ e esforçamo-nos por  falar qualquer idioma.

Somos únicos. Ninguém carrega, como nós, o fardo da saudade e poucos aprenderam, como nós, a viver longe da nossa terra. Diz-se por aí que há um português em todos os cantos do mundo, e é verdade. O passar dos séculos não alterou essa nossa característica, é genética. Somos hoje tão inovadores e aventureiros como foram os nossos antepassados que rasgaram oceanos e descobriram mundo.

Discretamente, influenciamos cada pedaço de terra pelo qual passamos. E devemo-nos orgulhar disso porque, para o bem e para o mal, temos connosco a alma lusitana, somos portugueses.

Patrícia Silva

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