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A baixa Pombalina : O reflexo de Portugal

A baixa pombalina de hoje já não é a mesma de outrora. A população está envelhecida, mas não tanto como se imagina. Rostos envelhecidos misturam-se com os rostos da juventude “insatisfeita”.

Na junta de Freguesia de São Nicolau, 26 das suas moradoras mais antigas estão reunidas na sala de convívio da junta. As suas vozes interpelam-se umas às outras. Algumas jogam dominó, outras fazem rendas enquanto conversam, outras somente observam com um olhar atento o que acontece ao seu redor. Numa tarde de sexta-feira, é dia de convívio promovido pela freguesia, como meio de combater a solidão. De entre as moradoras presentes, somente 3 ainda têm marido, as outras são viúvas ou solteiras.

Os dados mais recentes, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, na Junta de Freguesia de São Nicolau, que abrange 99% da população da Baixa Pombalina, existem na idade compreendida dos 25 – 64 anos – 802 residentes, enquanto que na faixa dos acima de 65 anos 237 residentes. Os estudos estatísticos revelam ainda, uma enorme discrepância entre a faixa etária 0-14 anos, onde o números de residentes é de 86. Equiparando o número de jovens e o de Idosos, pode-se concluir que o número de idosos é elevado. No entanto, segundo os dados da Junta de Freguesia de São Nicolau, já se estimam que o número de moradores ultrapasse os 3000.

A maior parte dos idosos residentes na baixa pombalina vive nos últimos andar dos prédios. Alguns vivem em prédios degradados e sem mais um único residente em todo o prédio. Um desses casos é Alda Costa,reformada por invalidez, de 78 anos, vive há 60 anos na Baixa com o marido, « Morava lá muita gente, mas agora só estou eu e o meu marido ». Devido à construção de um novo Hotel, Alda, terá que abandonar a casa que viu nascer os seus dois filhos de 45 e 54 anos « agora vou-me embora, eles estão a fazer um hotel no nosso prédio e vão despachar-nos, o novo hotel começa na rua dos Fanqueiros e acaba na rua dos Douradores».

Por outro lado, Clara Da Silva,de 80 anos, viúva,vive sozinha numa casa com 6 assoalhadas. Mudou-se para a Baixa, na rua Augusta em 1962 « entrei para lá esse ano, subi as escadas e nunca mais a desci» contou animada. A sua única dificuldade em viver na Baixa é ter « de subir até ao 4ª andar, as minhas pernas já não são as mesmas». Desde que o marido morreu, há cerca de um ano, Clara começou a sentir-se sozinha e decidiu vir passar as suas tardes de segunda e sexta-feira no convívio da Junta. Com uma reforma de poucos euros, Clara, sente-se indignada com a situação económica do país « pobre como sou a viver da minha pequena reforma não gosto de ver o meu país neste estado. Acha que gosto de ver o meu país a ser vendido desta maneira?».

Com o agravar da crise económica e o aumento das rendas das casas de 3,36%, fizeram com que muitos jovens tivessem de abandonar a zona pombalina. Petra Di Bernardo, de 31 anos, escolheu a Praça da Figueira para viver « ali tinha tudo o que precisava, desde transportes a lojas, mini-mercados e o fato de viver em plena zona histórica.» No entanto, o aumento das rendas e a procura de uma área reservada e sossegada levaram à sua saída «encontrei uma casa maior pelo mesmo preço da anterior».

Luís Gomes, de 24 anos, optou por viver na Baixa de Lisboa para ficar perto do seu antigo emprego e pelo gosto «do comercio de rua e comercio tradicional. E acima de tudo, porque gosto de estar perto de zonas que me interessam e tudo isso girava em torno da baixa. Acabei por me mudar para lá aos 19 anos». O momento de crise que Portugal atravessa ditaram o seu futuro. Há cerca de um ano Luís mudou-se para Paris, na França, «optei por deixar de viver em Portugal porque preciso que a minha vida evolua. Ambiciono mais e melhor. As minhas ambições não podem restringir-se a pagar as minhas contas de renda, luz, agua e gás até ao mês seguinte.». Com um nível superior de vida do que tinha em Portugal, Luís, deixou um conselho a quem pensa em emigrar « a emigração pode parecer uma aventura com imensos riscos. Mas quando nos aventuramos nisso, não há maneira de correr mal. Porque não emigraria para um país pior que o nosso economicamente. Por isso, não há como correr mal. São só vantagens.» concluiu.

Algumas das zona mais emblemáticas da Baixa Pombalina em apenas 1 minuto. Desde a Rua Augusta ao Terreiro do Paço, não deixando para trás, o Rossio e os Armazéns do Chiado.

  

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