Hiperlocal

Tempos de pesca

A atividade da pesca moldou culturas e tradições ao longo dos séculos, mas o caminho que percorreu sofreu alterações. O peixe que antes alimentava a fome e a sobrevivência, hoje também alimenta o tempo e o prazer de pescar.

A pesca é praticada pelo homem desde a pré-história, como forma de conseguir obter os meios necessários à sua subsistência e a pesca como era fácil de conseguir e tinha um retorno elevado, foi rapidamente aceite pelo homem, tornando o peixe um elemento primordial para a alimentação.

Entre muitos métodos de pesca de mar, rio ou lagos, a pesca à linha é a mais simples e é realizada tanto como uma atividade recreativa como desportiva.

Na amontante da marina de Alcantâra a pesca é proibida

Na amontante da marina de Alcantâra a pesca é proibida

Os hábitos da pesca em linha, desportiva, dos pescadores da Doca de Alcântara do rio Tejo em Lisboa são os mesmos hábitos da maior parte dos pescadores em muitos outros pontos do país.

É depois da marina de Alcântara no sentido Alcântara/Belém que se vêem vários pescadores entre os 40 e 75 anos, todos os dias por volta das 9h da manhã a preparar o material de pesca e a montar as cadeiras que lhes dão algum conforto durante horas a fio à espera que o peixe morda o isco.

Mas como em quase tudo há regras, a pesca não é exceção. Nem em todos os locais da Zona de Alcântara é permitido pescar. Entre Cais do Sodré e o Porto de Alcântara é proibido lançar a cana.

Familia do pescador José Fernando numa manhã de pesca

Familia do pescador José Fernando numa manhã de pesca

José Fernando, encarregado operacional de 48 anos, é pescador há 30 anos e sempre que tem tempo, geralmente aos fins-de-semanas de manhã, leva a sua mulher e as suas duas filhas junto ao rio, na tentativa de conseguirem levar tainha ou corvina para o almoço em casa. Mas admite gostar mais de pescar durante a noite, “ gosto mais de pescar á noite no barco na zona da Ericeira”.

Todo o equipamento, incluindo as licenças que têm que ser feitas, têm um valor elevado, “ O equipamento é caro, principalmente o do barco, só os carretos são 130 euros e as canas rondam os 100 euros cada uma, mas compensa porque á noite retiro mais peixe.”

                                                                                                                                                                                                                                                                         O pescador Jorge Manuel Campos, reformado de 65 anos, é um dos pescadores mais assíduos da Costa, todos os dias monta as canas, leva arroz aos pombos e lê um livro, rotina que não esquece.

Pescador Jorge Manuel Campos enquanto espera pelo peixe dá comer aos pombos e fuma o seu cigarro

Pescador Jorge Manuel Campos enquanto espera pelo peixe dá comer aos pombos e fuma o seu cigarro

“Pesco para me distrair e abstrair de algumas realidades que às vezes nos incomodam, aqui sinto paz, dá para descansar um bocadinho”.Pesca durante todo ano muitas horas durante o dia, principalmente no Verão onde tenta conciliar com a praia também, “junto o útil ao agradável, até porque fui nadador-salvador e fiquei com uma ligação muito grande ao mar. É o meu vício desde os 11 anos, além dos cigarros”.Nesta altura de Inverno, consegue 3 a 4 peixes por mês, linguado, safio, baila e alfurraz, já no Verão consegues outros tipos de peixe e consegue ter mais do dobro.Para este pescador, a estratégia para uma boa pesca que permita mais recolha de peixe, é ter um “anzol, cana indicada, paciência e sorte”.

Carretos,anzois e canas são os obejectos principais para pescar

Carretos,anzois e canas são os obejectos principais na pesca

Como existem leis estipuladas para uma pesca legalizada, o pescador Jorge Campos entre as várias opções de licenças disponiveis no multibanco, variáveis dos 4 aos 10 euros, escolheu pesca em linha que tem um valor de 8 euros por ano.Neste tipo de pesca, só se pode usar no máximo duas canas com três anzóis por cana, leis que estão estipuladas. Também a distância entre cada pescador tem que ser cumprida, o pescador tem que estar a uma distância relativa de 10m do pescador do lado.

Pescador João Pestana Dias, grande amante da pesca, começa a montar as canas.

Pescador João Pestana Dias, grande amante da pesca, monta canas e anzóis

Um dos pescadores mais velhos da Costa, João Pestana Dias de 70 anos e industrial de carpintaria, também revelou o prazer que tem na prática da pesca.

É pescador há 50 anos, de uma forma lúdica, pesca mais aos fim-de semanas e férias durante a tarde, na mudança das marés – duas horas antes da maré baixa e duas horas depois da maré alta – altura em que a probabilidade de conseguir mais peixe é maior.

Na zona, o que apanha mais, é o peixe alfurraz, “ não são peixes muito grandes mas servem, congelo logo assim que chego a casa para depois comer com a família, mas não venho aqui com o sentido de apanhar peixe, o que apanhar, apanhei. Venho para aqui por desporto, por gosto á pesca.”

Em Portugal a pesca em linha tem vindo a aumentar como uma opção de passar o tempo, a Doca de Alcântara tem o exemplo destes três pescadores, de que esta tradição ainda se mantem viva e ainda continua a atrair adeptos.

Andreia Rodrigues

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