Cultura

Cultura às migalhas

Cultura, mas pouco. Este é um dos primeiros setores da sociedade a sentir a crise. O Estado gasta pouco nesta área, e isso nota-se nos hábitos dos portugueses.


Os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian estão abertos o ano todo.
(Imagem: http://www.doclisboa.org)

Portugal tem um dos piores resultados em indicadores de participação cultural, ninguém na Europa lê menos livros, vai menos ao cinema, ao teatro, e a exposições que os portugueses. Gastamos menos dinheiro em cultura que a média europeia, consequência da tanto falada crise, ou de hábitos enraizados nas famílias.

Nos dias que correm não há desculpa para não entreter a massa cinzenta com atividades que cativem a mente e o corpo. Ficar em casa ligado à Internet e à televisão são de longe as melhores opções para desenvolver capacidades, competências, educação e sabedoria, enfim cultura.

Lisboa foi considerada a quarta cidade mais bonita do mundo e é sem dúvida uma das mais bonitas da Europa. Uma cidade com história, histórias incríveis para contar e lugares fantásticos para visitar e hoje em dia dispomos  dos melhores eventos, desde os mais tradicionais aos mais contemporâneos, sem qualquer custo.

Apesar da falta de paciência e interesse de alguns para este tipo de atividades e lazer, há quem defenda a importância das artes na nossa sociedade, estímulos indispensáveis na vida.

Ser teso não é sinónimo de ser inculto e não haver Ministério da Cultura não é sinónimo de desconhecimento.

Mas numa altura em que o acesso à cultura é cada vez mais limitado, e o estado está sem dinheiro para injectar nesta área, é caricata a condenação do nosso Simon Rattle português, falo claro do Maestro Miguel Graça Moura, que até 2003 foi presidente da Associação Música, Educação e Cultura (AMEC), entidade sem fins lucrativos que gere a Orquestra Metropolitana de Lisboa e três escolas de música.

O maestro é acusado de ter gasto ilicitamente dinheiro em viagens à Tailândia, Quénia, ilhas Maurícias, em compras de jóias, roupas, bebidas, contas em restaurantes, livros, CDs, lingerie feminina e masculina, até uma aliança em ouro, enfim, desde 1992 que vivia às custas do Estado. Para alguns poderem gozar de muito dinheiro todos nós temos que pagar por isso.

O Lema do músico é “não se levam Maestros a tascas nem se hospedam em pensões.” – de facto, ficou claro que não…e em Janeiro deste ano o tribunal condenou Graça Moura a 5 anos de prisão e este foi obrigado a pagar 690 mil euros à entidade gestora da Orquestra Metropolitana de Lisboa e outros 30 mil à Câmara de Lisboa.

Às vezes estamos tão desligados, e vivemos tão alienados do mundo, que arriscaria a dizer que muitos não tinham conhecimento deste caso.

Corrupções artísticas à parte, chega de desgostos culturais pois é de coisas boas que vive este sector:

Diariamente encontramos nos sites em baixo sugestões diversas (e grátis) para eventos e atividades na Zona Metropolitana de Lisboa e Porto, para todos, mas principalmente os que andam de bolsos leves.

Há programação cultural gratuita diária, disponível na Internet em:

http://www.facebook.com/pages/Agenda-Cultural-dos-Tesos/101808963216386  nesta página do Facebook alimentada por fãs, encontramos todo um leque de cultura totalmente de borla;

Visite http://tmnentradalivre.sapo.pt/ para assistir a concertos de entrada livre;

ou em;

http://www.e-cultura.pt

http://culturadeborla.blogs.sapo.pt

http://culturagratis.blogs.sapo.pt

Também no Museu Coleção Berardo Arte Moderna e Contemporânea as entradas são gratuitas.
E está aberto todos os dias das 10h00 às 19h00, no Centro Cultural de Belém.

Esteja atento, aproveite estas iniciativas, procure sair de casa, o dinheiro deixou de ser uma desculpa, não se deixe influenciar pela falta dele. Pode-se ser muito rico, quando se convive com as artes.

Mafalda Pessanha

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