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Tripeiros e Alfacinhas

As rivalidades entre os Tripeiros e os Alfacinhas já têm séculos de história. A gente do norte é conhecida como tripeira porque, segundo a lenda, na preparação da armada para a conquista de Ceuta, em 1415, ofereceu aos expedicionários toda a carne disponível, sobraram apenas as tripas que tiveram de comer durante meses. Com este sacrifício ganharam nova alcunha. Quanto aos alfacinhas a origem do nome não é certa. Uns dizem que assim são conhecidos os lisboetas porque, em tempos, verdejavam nas colinas da capital inúmeras alfaces. Outros, por sua vez, acreditam que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes tinham como alimento quase exclusivo as alfaces que cultivavam. Lendas ou mitos, valem o que valem para quem os ouve…

O “ódio” entre a Invicta e a Capital é bem antigo… já no século XIX Eça de Queiroz escreveu: “Lisboa inveja ao Porto a sua riqueza, o seu comércio, as suas belas ruas novas, o conforto das suas casas, a solidez das suas fortunas, a seriedade do seu bem-estar. O Porto inveja a Lisboa a Corte, o Rei, as Câmaras, S. Carlos e o Martinho.”

Mas reis à parte – até porque agora quem nos governa é a rainha Troika – diz-se, no Norte, que não há nada melhor do que a gastronomia portuense. As tripas à moda do Porto abrem as honras da casa, seguidas pelo bacalhau à Gomes de Sá e pelas tão famosas francesinhas. Mas, está claro, cada um ‘puxa a brasa para a sua sardinha’, e por falar em sardinhas, os lisboetas são peritos na sardinha assada, nas pataniscas de bacalhau e nos  tão apreciados pipis. Dos salgados aos doces… nada melhor do que juntar um Pastel de Belém com um bom cálice de vinho do Porto.

Diz o ditado que “Santos da casa não fazem milagres” mas o casamenteiro Santo António sempre foi bem recebido nas ruas da capital. Os nortenhos, por sua vez, não dispensam festejar o São João, que pela sua fama de sedutor é conhecido como o menos confiável entre os santos.

Quando se fala em festas fala-se em diversão. E diversão é sinónimo de sair à rua… “Da Ribeira até à Foz” – já diz a canção, quem é do Porto gosta de sentir a noite junto ao Douro. Os “loucos de Lisboa” viram-se mais para o Tejo e cantam “estou bem, na boa, esta manhã em Lisboa”.

As rixas entre o norte e o sul já foram pintadas, cantadas, faladas e escritas… mas a maior de todas elas vive-se em campo. O verdadeiro patriotismo dos dias de hoje vê-se no futebol e nada melhor que assistir a um jogo dos eternos rivais Benfica e Porto, para perceber que as relações não melhoraram com o passar do tempo.

Para além de ser complicado comparar as duas cidades, não tem sentido fazê-lo. Cada uma é o que é, rica à sua maneira. Os alfacinhas vão continuar contentes com o seu Oceanário, o Jardim Zoológico e o metro que anda por debaixo da terra. Os tripeiros não dispensam o Parque da Cidade, a Casa da Música e a paisagem que podem apreciar ao andar num metro que, maioritariamente, circula lado a lado com os carros e autocarros.

Porto, terra de tripeiros

Porto, terra de tripeiros

Lisboa, terra de alfacinhas

Lisboa, terra de alfacinhas

Patrícia Silva

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