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Re-food: um projeto sobre rodas

Hunter Halder e o filho, fundadores da Re-food

Hunter Halder e o filho, fundadores da Re-food

A ideia surgiu há dois anos, durante um jantar de família. Hunter Halder decidiu criar uma equipa que redirecionasse refeições que sobram nos restaurantes, padarias, pastelarias e supermercados, para quem passa fome. A palavra ‘sobras’ ganha uma nova dimensão neste projeto que, atualmente, já alimenta mais de 400 pessoas, só em duas freguesias de Lisboa (Nossa Senhora de Fátima e Telheiras).

Os voluntários são mais de 300 e, todos os dias, fazem a ronda na centena de estabelecimentos que já se juntaram à iniciativa.

O objetivo é que, até 2014, todas as freguesias de Lisboa tenham um núcleo da Re-food.

Para ser voluntário e ajudar esta equipa basta aparecer na sede da Re-food, encostada à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, ou enviar uma mensagem através da página oficial, no facebook.

Estivemos à conversa com o mentor do projeto, Hunter Halder:

A ideia surgiu num jantar de família

A ideia surgiu num jantar de família

1 – Re-food… como surgiu a ideia de criar este projeto?

A ideia surgiu num jantar em 2010 com a minha filha. Ela perguntou-me o que faziam os restaurantes com toda a comida que sobrava. Eu disse-lhe que a deitavam fora porque não tinham outra alternativa. Ela ficou muito chocada e comecei a pensar qual seria a alternativa. Escrevi um esboço, mostrei ao meu filho, ele disse que era viável e avançamos com o projeto. A Re-food foi lançada a 9 de março de 2011.

2 – Considera-se um ‘caça desperdícios’?

Sou mais um… na nossa sociedade há muito desperdício de comida, de água, de tempo, de talento. Só encontramos uma maneira de tapar um pouco todo esse desperdício. Cabe-nos a nós arranjar soluções.

A gestão é feita diariamente

A gestão é feita diariamente

3 – Trabalhou como gestor durante 15 anos e abandonou o emprego. Começou por se dedicar a projetos humanitários e, em 2011, largou tudo para criar a Re-food. Como é, agora, um dia normal de trabalho?

Há coisas pontuais e ligeiras e outras que são de rotina e pesadas. Normalmente, às 9h recebo o camião de comida do El Corte Inglês. Faço algumas recolhas durante a manhã. Às 13h é tudo preparado porque, a essa hora, começam a chegar as famílias à nossa porta para receber os cabazes, até às 14h. Às 15.30h fazemos o almoço aos sem-abrigo, em parceria com a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Esse almoço é feito nas instalações da própria igreja e acaba por volta das 16.30h. Entre as 15.30h e as 16.30h eu estou a fazer recolhas, de bicicleta, aqui na zona. O voluntariado intensivo começa às 18h, existem quatro equipas que vão fazer a primeira ronda pelos restaurantes, padarias e pastelarias. Ao mesmo tempo, a equipa de preparação está a fazer os cabazes com a comida que sobrou do dia anterior e a que vai chegando, trazida pelas equipas. Às 20.30h é hora de trocar de equipas, entram novos voluntários, a maioria trazem os carros para fazermos a distribuição dos cabazes. Às 21.30h voltam a entrar voluntários para fazer a segunda ronda nos restaurantes que fecham mais tarde. Nessa altura também vêm muitos sem-abrigo aqui à porta pedir comida. Às 23.30h limpamos tudo e à meia noite fechamos portas… para voltar a abrir no dia seguinte.

4 – Em números… quantas pessoas são ajudadas pela Re-food, quantos restaurantes e estabelecimentos colaboram e quantos voluntários trabalham neste grupo?

Ajudamos mais de 300 pessoas na freguesia de Nossa Senhora de Fátima e quase 100 em Telheiras. Nesta freguesia temos, mais ou menos, 70 estabelecimentos a colaborar connosco, em Telheiras são cerca de 40. Voluntários são mais de 230 aqui e mais de 80 em Telheiras.

5 – Como é que se organiza uma equipa que já tem tanta gente envolvida?

É um desafio de gestão e de tempo. Temos seis equipas, cada uma com duas pessoas. Estão distribuídas por diferentes “pastas de trabalho”: liderança, operações, voluntariado, beneficiários, angariação de comida e apoio comunitário. Neste momento temos, também, quatro bicicletas no núcleo de Nossa Senhora de Fátima – uma delas é especial para cargas, conseguimos comprá-la com dinheiro angariado – e vamos comprar uma de carga para Telheiras. Mas eu sou o único que me dedico a isto a 100%.

As bicicletas também ajudam na recolha de alimentos

As bicicletas também ajudam na recolha de alimentos

6 – Projetos futuros… 2013 vai ser um ano de azar ou de sorte?

Vai ser um ano muito bom, de muito crescimento. Vamos replicar 10 vezes em 2013 e 20 ou 25 vezes em 2014. Até 2014 queremos que todas as freguesias de Lisboa tenham um núcleo da Re-food. Nestes dois anos conseguimos 100 mil refeições. Se toda a cidade estiver dinamizada conseguiremos 5 a 7 mil milhões de refeições por ano, só em Lisboa. Mas a ideia é espalhar o projeto por todo Portugal e por todo o Mundo. Queremos que vejam este projeto e que o repliquem noutras cidades porque é possível.

Leia ainda o artigo relacionado: Sobras que combatem a fome

Patrícia Silva

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