Em Foco / Nacional

O cinema faz-se no Bairro

Nove associações e festivais de cinema ganharam, há uma semana, um novo espaço a que podem chamar “casa”. A Câmara Municipal de Lisboa cedeu um edifício de três andares a estas entidades que passam, a partir de agora, a pagar uma renda controlada de apenas 56 euros mensais.

A Casa do Cinema abriu portas na passada quinta-feira, 17 de janeiro

A Casa do Cinema abriu portas na passada quinta-feira, 17 de janeiro

“É um milagre o que a Câmara Municipal nos fez,  é fruto de uma política que se preocupa com o aspeto cultural da cidade. E o facto de estarmos juntos, fisicamente, é absolutamente fundamental.  Acredito que isto é um marco histórico no cinema em Portugal” – foi assim que António Câmara Manuel, responsável pela Duplacena, descreveu a medida levada a cabo pela Câmara Municipal de Lisboa.

Na passada quinta-feira a autarquia fechou o contrato com nove grupos ligados ao cinema que, a partir de agora, têm morada em pleno coração de Lisboa. O número 277 da Rua da Rosa, no Bairro Alto, ganhou novos inquilinos.

A Casa do Cinema começa, aos poucos, a ganhar vida. A Associação Janela Indiscreta, responsável pelo Festival Queer Lisboa, e a Monstra, que organiza o Festival de Animação, foram os primeiros a ocupar as novas instalações. Mas não estão sozinhos, na porta ao lado já têm os colegas da Associação pelo Documentário (APORDOC) e da Duplacena. Continuam em mudanças a Associação Portuguesa de Realizadores, a Academia Portuguesa de Cinema, a Associação Cultura e Cidadania da Língua Portuguesa, o Cineclube de Cinema de Terror de Lisboa e a equipa do Festival Indie Lisboa. Calcula-se que daqui a um ou dois meses já todos os grupos tenham terminado as mudanças.

Renda controlada: 56 euros por mês

Nesta casa, cada um dos nove inquilinos pagará uma renda de 56 euros por mês. Uma ajuda que vem tentar compensar as dificuldades porque passam as entidades ligadas à cultura. Na inauguração, o presidente da Câmara António Costa, assegurou que “não nos podemos substituir ao Estado, mas temos investido cada vez mais nas áreas social e cultural”, que são as mais afetadas pela crise.

“É fantástico só pagar 56 euros de renda, o espaço que tínhamos antes era muito parecido com este e pagávamos quase 400 euros por mês, é ótimo para nós. É um apoio extra que a Câmara está a dar, para além do apoio financeiro que nos dá todos os anos.” – garantiu Ana David, do Queer Lisboa. “Este edifício é fundamental pra a continuação da existência destas associações, ter um espaço próprio e poder partilhar sinergias é muito importante. Estivemos no Largo da Madalena durante cinco anos, com uma renda muito mais alta, é ótimo para nós ter a renda a este preço” – acrescentou Cinta Palejo, da APORDOC.

Esperam-se sinergias entre os nove inquilinos

“Este edifício tem ótimas condições. Ainda é cedo mas de certeza que se vão criar sinergias entre todos nós” – disse Ana David, da Queer.

Esta iniciativa da Câmara de Lisboa foi largamente aplaudida por realizadores, atores, produtores e todos os profissionais de cinema do nosso país.

António Câmara Manuel, da Duplacena – responsável pelos Festivais Temps d’Images e FUSO – acredita que a abertura da Casa do Cinema “veio dar a oportunidade a estruturas ligadas a esta área de terem, cada uma, a sua sede. Até há pouco tempo, muitos de nós fomos pouco apoiados. Esta é uma situação única no nosso país. Ter uma ferramenta, tão básica como um escritório, para poder desenvolver um projeto é fundamental. Mas não é só do escritório que estamos a falar, (esta casa) é uma congregação de escritórios, todos temos os mesmos interesses e estamos juntos para dialogar sobre eles.”

Os novos moradores distribuem-se pelos três andares do edifício, ainda nem todos se mudaram mas já, quase todos, fizeram questão de identificar a porta do novo “lar”.

“Todos nós trabalhamos para o público, se estivermos mais próximos e colaborarmos uns com os outros mais vantagens vão ter os espectadores e os festivais de cinema. Estamos mais perto umbilicalmente, e isso é muito positivo” – afirmou o diretor artístico da Monstra, Fernando Galrito.

Mais sobre:

Associação Janela Indiscreta

Janela Indiscreta

Janela Indiscreta

Esta associação organiza, anualmente, o Queer Lisboa, um festival cultural de cinema gay e lésbico, é o festival mais antigo de Lisboa.

“Somos três a quatro pessoas fixas durante o ano inteiro mas, à medida que se aproxima a data do festival, sobretudo no Verão, começam a entrar pessoas para nos ajudar” – afirmou Ana David.

O Queer Lisboa vai acontecer de 20 a 28 de setembro.

Consulte o programa completo na página oficial.

 

Monstra – Festival de Animação de Lisboa

Festival de Animação

Festival de Animação

O Monstra surgiu em Maio de 2000 e tem uma característica que o torna particular: só passa filmes de animação.

Fernando Galrito, diretor artístico, aponta quatro fatores que contribuem para o sucesso do festival: o primeiro prende-se, exatamente, com o fato de só ter cinema de animação. “Enquanto o cinema de imagem real o que faz é reproduzir os movimentos dos atores, na animação damos vida a coisas inertes, esta capacidade de dar alma ao movimento é muito específica.”

Em segundo lugar está a vertente da continuidade. “O cinema de animação não começa nem acaba no ecrã. Podemos criar relações com diferentes artes plásticas, com o teatro, com a dança” – garantiu Galrito.

A formação dada pelos convidados que participam no festival é outra mais-valia para as crianças, jovens e todos os que assistem à Monstra.

O quarto fator, referido pelo diretor artístico, é a Monstrinha. Desde o início, este festival tem especial atenção à programação dedicada ao público do futuro, as crianças e os jovens. Acreditam na importância que o cinema tem como processo pedagógico.

A Monstra integra uma equipa de três pessoas, que trabalham permanentemente para o projeto. Mas, como todos os outros festivais, à medida que o evento se aproxima cresce o número de voluntários, “vêm para cá pessoas de várias partes do mundo, todas com vontade de ajudar e de aprender” – acrescentou Fernando Galrido.

A Monstra está marcada de 7 a 17 de março

O programa e mais informação estão no site oficial.

Duplacena – Festivais Temps d’Images e FUSO

Duplacena

Duplacena

Esta estrutura de produção organiza dois festivais por ano: o Temps d’Images e o FUSO. Está ligada às artes performativas, tem uma secção competitiva relacionada com documentários sobre arte e oferece cine-espetáculos.

A Duplacena cruza o vídeo, a imagem, o movimento e o palco.

Durante o ano, conta com cinco colaboradores a tempo inteiro e, à medida que se aproximam os festivais, vai recebendo gente que ajuda na produção dos mesmos.

Neste momento, tem uma exposição do artista João Onofre no Museu do Chiado. (saiba mais pormenores, aqui)

Consulte a página da Duplacena na internet acedendo a este link.

APORDOC – Associação Portuguesa pelo Documentário

Associação pelo Documentário

Associação pelo Documentário

A APORDOC é uma associação cultural sem fins lucrativos que pretende estimular a cultura do documentário.

Organiza os festivais Doc Lisboa, Panorama e seminário internacional Doc’s Kingdom. Para além disso, desenvolve projetos e atividades em escolas primárias e secundárias.

Da equipa fazem parte quatro pessoas, que trabalham a tempo inteiro, mas o número aumenta com o aproximar dos festivais.

“Esta é uma equipa jovem e muito dinâmica, que trabalha na base da associação mas também se envolve nos diferentes projetos que vão sendo desenolvidos” – assegurou Cinta Palejo, um dos elementos desta equipa.

Saiba mais consultando o site.

Veja ainda:

Academia Portuguesa de Cinema

Associação Portuguesa de Realizadores

Associação Cultura e Cidadania da Língua Portuguesa – Festival FESTin

Cineclube de Cinema de Terror de Lisboa – Motel X

Festival Indie Lisboa

Fique a conhecer a Casa do Cinema, veja as fotografias:

Patrícia Silva

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