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Metade dos pilotos portugueses já adormeceu durante o voo

Quase 500 pilotos responderam um inquérito realizado por investigadores apoiados pelo Instituto Nacional de Aviação Civil.

91% dos pilotos referem já terem cometido erros de pilotagem devido à fadiga.(foto:www.guiaviagens.pt)

91% dos pilotos referem já terem cometido erros de pilotagem devido à fadiga.
(foto:www.guiaviagens.pt)

Nove em cada dez pilotos admitiram ter cometido erros de pilotagem devido a cansaço, e 53% afirmou que já adormeceu durante um voo, mesmo que durante pouco tempo. A principal autora do estudo Cátia Reis, mestre em biologia humana e ambiente diz que estes são resultados que merecem atenção, “os micro-adormecimentos, em que os pilotos perdem a cognição, e o piloto que está ao lado pode ou não aperceber-se, é uma situação de perigo.”

Nuno Queiroz, da direção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, admite que os casos de adormecimento não o deixam tranquilo. “Estamos a falar de erros que podem não ser erros com grande impacto na segurança. Estão lá dois pilotos já por causa disso. Mas são erros que em junção com outros podem ser graves”, «Um piloto sabe que está cansado e diz que está fatigado, mas, no entanto, quando tem oportunidade para reportar esta situação não o faz».

O fenómeno da fadiga dos pilotos está em cima da mesa numa altura em que está a ser discutida a uniformização da legislação europeia sobre horas de voo pela Agência Europeia de Segurança Aérea. Os resultados deste tipo de estudos ajudam os pilotos a reforçar as críticas contra a Agência Europeia para a Segurança da Aviação, que quer aumentar os tempos de trabalho dos comandantes.

Segundo Cátia Reis, os pilotos de médio curso apresentam níveis de cansaço mais elevados do que os do longo curso, algo que é explicado por Nuno Queiroz através da pressão a que são sujeitos os profissionais pelo aumento da concorrência entre companhias.

Principais causas dos acidentes aéreos

Cerca de 80% de todos os acidente na aviação ocorreram imediatamente antes, durante ou depois da descolagem ou da aterragem, acidentes frequentemente apontados como erro humano.

Um estudo feito com base em 1.843 acidentes aéreos desde 1950 até 2006 determinou as seguintes causas:

53%: Erro do piloto e tripulação;

21%: Falhas estruturais;

11%: Clima/tempo;

8%: Outros erros humanos

6%: Sabotagem

1%: Outras causas.

As falhas humanas são as maiores causas de acidentes em voos comerciais e privados, contudo o número anual de acidentes aéreos tem vindo a diminuir. Entre 1991 e 1996, por exemplo, registaram-se 50 acidentes, já entre 1997 e 1999, apenas 40. Em 2003 foram registados 19 acidentes de aviação.

Um dos maior acidentes aéreos da história da aviação acorreu em março de 1977, quando dois Boeings747 colidiram no solo quando se preparavam para descolar na ilha de Santa Cruz de Tenerife, Espanha. Erros de comunicação entre pilotos e controle de tráfico, nevoeiro na hora da descolagem e o congestionamento de aviões no aeroporto foram apontadas como as causas do acidente.

Apenas 61 pessoas sobreviveram nessa que é até hoje a maior catástrofe da aviação comercial, com 583 passageiros mortos.

Mafalda Pessanha

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