Hiperlocal

Poluidor – Pagador

A cidade da Maia vai testar, a partir de Abril, um projeto piloto em que os habitantes pagam pela quantidade exata do lixo que produzem. O programa resulta de uma parceria entre a Lipor e a Maiambiente e custa 400 mil euros.

O objetivo do projeto é que cada cidadão pague exatamente pelo lixo que produz.
(Fotografia do site morguefile.com)

 

“Pay as you throw” (PAYT) – “pague à medida que deita o lixo fora”, em português. É este o sistema base deste projeto piloto que vai abranger 1100 habitações na freguesia de Vila Nova da Telha, na Maia.

O programa resulta de uma parceria entre a Lipor e a Maiambiente, empresas responsáveis pela recolha de resíduos na zona.

A partir de meados de Abril, 3500 pessoas vão começar a pagar pela quantidade de lixo que fazem, em vez de pagarem a taxa indexada à fatura da água.

O projeto assenta no princípio do poluidor-pagador, basicamente, quanto mais lixo um habitante produzir, mais terá de pagar no final do mês.

Como funciona?

Paulo Rodrigues, coordenador do projeto, explica que a cada habitação serão dados quatro contentores (para o lixo indiferenciado, o plástico, o vidro e o papel). Cada um equipado com um sistema que permite pesar a quantidade de resíduos depositados e identificar o utilizador através de um cartão.

Os caixotes recicláveis não têm qualquer custo, mas de cada vez que o morador deita no contentor lixo indiferenciado, fica registada a quantidade, e a fatura vai crescendo até ao final do mês.

Quem vive em prédios, continuará a usar os contentores de deposição seletiva, devidamente equipados.

Os caixotes que estão na via pública vão ter o mesmo sistema e serão controlados pelo cartão de cada utilizador.

Para além disso, as pessoas com dificuldades motoras e que vivam em casas de difícil acesso para o carro de recolha de lixo vão ser contempladas com alternativas.

Objetivo é compensar as boas práticas ambientais

O coordenador do projeto assegurou que a população não irá pagar mais, “muito pelo contrário, o objetivo principal de um projeto PAYT é potenciar a prevenção e reciclagem dos resíduos, compensando as boas práticas ambientais”.

Acrescentou, ainda, que “quanto mais separarem os resíduos, maior será a otimização e eficiência de todo o sistema”.

O custo por quilo de lixo ainda não está definido, mas atualmente, os consumidores pagam cerca de 30% do preço a pagar pela recolha dos resíduos urbanos, que depende do consumo da água, o resto está a cargo as autarquias.

Projeto financiado pela Agência Portuguesa do Ambiente

Este projeto piloto custa 400 mil euros, mas 300 mil são financiados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A Lipor e a Maiambiente apresentaram uma candidatura que foi aprovada por esta entidade.

A APA garantiu que este foi o único projeto apresentado, porém as Câmaras de Óbidos e de Portimão asseguram que também concorreram ao financiamento para desenvolverem projetos semelhantes.

PAYT discutido na Assembleia da República

O PSD e o CDS/PP apresentaram, nesta quarta-feira, uma proposta na Assembleia da República, que se baseia na aplicação do sistema PAYT em várias zonas do país.

Um estudo da Comissão Europeia sobre Prevenção e Reciclagem de Resíduos também defende este modelo.

A proposta vai ser votada amanhã e tem já o apoio da associação ambientalista Quercus e do Partido Ecologista Os Verdes.

Patrícia Silva

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